O conceito da ULTRA MADEIRA é muito simples… Atravessar a ilha, unindo rapidamente os extremos oeste e leste, com passagens obrigatórias pelos pontos montanhosos mais altos da mesma, um desafio pensado para a maioria dos entusiastas da modalidade.

pontadopargoO tiro de partida será dado às 04:00 do dia 06 de Outubro, no cabo mais ocidental da ilha, mais precisamente junto ao farol da Ponta do Pargo (290 m de altitude) - Património de Valor Local – o qual “orientará” os participantes para a primeira fase, ainda noturna, do desafio. E o primeiro teste será precisamente a subida longa mas gradual, em estradões e trilhos tecnicamente bastante acessíveis, rumo ao Parque Florestal da Fonte do Bispo, já no planalto do Paul da Serra, onde os participantes usufruirão do seu 1.º ponto de controlo/abastecimento (10,3 km).

Segue-se depois, uma fase de progressão mais plana, cujas vias de circulação alternarão entre os estradões, singletracks, algum asfalto e a Levada Pequena do Paul. A próxima paragem para abastecimento acontecerá na Casa de Abrigo da Bica da Cana (28 km) e precederá a descida para a Encumeada, através do sempre espetacular Caminho do Pináculo e Folhadal (PR17) que atravessa uma excelente área de vegetação natural, tanto de altitude como de floresta Laurissilva, área integrante de Rede Natura 2000. A passagem pelo imponente Paredão ou Rocha do Passinho e os 900 degraus que se seguem a descer são uma imagem de marca desta zona.folhadal

Após controlo e abastecimento na Boca da Encumeada (37,3 km), entra-se autenticamente na espinha dorsal da ilha, no Maciço Montanhoso Central, através do PR1.3, em direção ao ponto mais alto da ilha, o Pico Ruivo (1861 m). Se o tempo estiver descoberto, é possível contemplar paisagens panorâmicas sobre os majestosos vales do Curral das Freiras, as paisagens a Sul (Serra D´Água) assim como os vales de São Vicente a norte.  Durante este troço poderão ser avistadas várias furnas escavadas nas rochas como a Furna da Lapa da Cadela, onde antigamente se abrigavam os homens que por aqui passavam com a principal missão de cortar urzes para estacaria, lenha ou para produção de carvão vegetal.

picoruivoApós controlo e abastecimento na casa de abrigo do Pico Ruivo (47,1 km), segue-se o PR1 em direção ao terceiro pico mais alto, o Pico do Areeiro (1818 m), um dos percursos mais desafiantes, emblemáticos e concorridos da ilha, diríamos mesmo o percurso fetiche do turismo ativo, uma miscelânea surpreendente de trilhos, escadarias de pedra e metálicas, túneis, caminhos empedrados, veredas flutuantes, miradouros, subidas infindáveis, enfim, um cocktail indescritível de vistas e emoções que farão esquecer certamente a dureza intrínseca do desafio…

picoareeiroChegados ao Pico do Areeiro (51,8 km), e após novo controlo e abastecimento, entra-se no Maciço Montanhoso Oriental, numa fase maioritariamente descendente, com passagens junto ao Poço da Neve (onde outrora se guardava o gelo que era carregado às costas por homens que se lançavam encosta abaixo para satisfazer as necessidades dos hotéis e hospitais…), Casa do Areeiro, Chão da Lagoa e, para novo controlo e abastecimento, Poiso (58,6 km).

Continuando a descer, aproximamo-nos rapidamente da zona da Portela (67,4 km), para um novo controlo e abastecimento, entrando de seguida em estradões e singletracks rumo à Casa das Funduras (73 km), penúltimo posto de controlo e abastecimento. O melodioso cantar das aves e todo o ambiente é quase mágico e fantasioso por entre o arvoredo verdejante e os imponentes fetos arbóreos da Serra das Funduras.

ribeiranatalNova descida em direção à Levada do Caniçal, com paisagens de cortar a respiração sobre o vale de Machico. Por fim, último abastecimento na zona da entrada para o Pico do Facho (80,8 km), antes da descida final para o Caniçal, através de um trilho que calcorreia antigos poios e tendo sempre como pano de fundo o azul do mar a leste a beijar a Ponta de São Lourenço. No final desta descida, uma ponte secular de arco abobadado ligeiramente abatido, construída em pedra basáltica irregular, sem argamassa, possibilita o atravessamento da Ribeira do Natal e, com isso, só faltará mesmo percorrer a promenade de acesso à tão almejada linha de meta instalada junto ao Museu da Baleia – Praia do cais da Pedra D’Eira, no Caniçal (85,1 km). E, muito importante, não deixe nada para trás, a não ser as suas pegadas e memórias.